Rui Mingas distinguido por academia francesa
A União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC) considerou que a distinção ao compositor e intérprete angolano Rui Mingas, sábado último, pela Academia Francesa de Artes, Ciências e Letras, constitui um atestado de excelência ao trabalho desenvolvido pelos homens das artes angolanas.

“A distinção confere grande reputação ao nosso membro, o que, por essa via, confere também maior visibilidade internacional a nossa música e ao nosso país”, lê-se na nota de imprensa distribuída à imprensa.

O documento acrescenta que Rui Mingas é um artista que deve servir de exemplo para todos, particularmente para as novas gerações de artistas angolanos que no afã da fama esquecem que “a modéstia, o saber, a procura da excelência e o patriotismo são valores incontornáveis para o sucesso”.

Membro fundador da UNAC, Rui Mingas foi distinguido pela Academia Francesa de Artes, Ciências e Letras com a medalha de Mérito de Ouro. A Academia Francesa de Artes, Ciências e Letras foi fundada em 1915, com o objectivo de promover e premiar o trabalho de criadores, promotores e produtores de artes, ciências e letras.

Homenageado pela Lusíada

A ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva considerou que o papel artístico desempenhado nas décadas de1960/70 pelo músico e intérprete Rui Mingas despertou a consciência revolucionária da juventude da época.

A governante fez essa afirmação quarta-feira última, quando presidia à cerimónia de homenagem a Rui Mingas, promovida pela Universidade Lusíada de Angola (ULA), instituição de que é docente e administrador, devido a sua distinção pela Academia Francesa de Artes, Ciências e Letras com a medalha de Mérito de Ouro.

“Rui Alberto Vieira Dias Mingas deu um grande contributo na massificação da cultura angolana, tendo musicado poemas de vários poetas nacionais, incluindo alguns do primeiro presidente angolano, António Agostinho Neto”, recordou.

Rosa Cruz e Silva destacou entre os feitos do artista, cujas canções foram relembradas na cerimónia, o Hino Nacional (o qual musicou), acrescentando que Angola continuará a homenagear o artista.

A cerimónia foi marcada pelo testemunho de diversas personalidades, entre ex-colegas da época de estudante, amigos, professores, familiares e estudantes da Universidade Lusíada que convergiram sobre aquilo que consideram ser qualidades humanas raras na pessoa de Rui Mingas.

Na ocasião, a engenheira Albina Assis, sublinhou ter sido marcante o facto de em plena época colonial, em Lisboa, Rui Mingas os ter convidado para o seu pequeno quarto no lar estudantil, onde mostrou vários poemas interventivos que havia musicado.

Enquanto as docentes universitárias Adélia de Carvalho e Flôr Bela Araújo consideram a distinção como a prova das “nobres qualidades e sagacidade” de Rui Mingas, de quem Angola pode esperar por muitos outros prémios.

O ‘dono’ do Hino Nacional

Convidado a tecer algumas considerações, o músico relembrou com nostalgia a época em que musicou os poemas interventivos de Agostinho Neto, Mário António de Oliveira, António Jacinto e outros que tocavam a sua sensibilidade. O evento foi ainda marcado pela actuação do seu irmão André Mingas e a declamação de poesias.

Rui Mingas é autor do Hino Nacional, “Angola Avante”, juntamente com o escritor Manuel Rui. Colocou, em 2006, no mercado, o disco “Memória”, gravado em Angola, Brasil e Portugal. Teve os acabamentos em Portugal (Cervante Estúdio), onde se procedeu aos trabalhos de captação, gravação, edição, mistura e masterização.

Neste disco, o autor musicou poemas de escritores angolanos, como “Meu Amor” e “Meninos do Huambo”, de Manuel Rui Monteiro, “Makezu” e “Namoro”, de Viriato da Cruz, “Adeus à hora da largada” e “A Kitandeira”, de Agostinho Neto, “Benguela” e “Pé de Maracuja”, de Ernesto Lara Filho.

Incluiu ainda novas versões das músicas “Muxima” e “Birin Birin”, ambas de Carlos “Liceu” Vieira Dias, e “Meninos de Rua”, de Filipe Zau.

O País – Jornal de Angola